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Você tem medo de tomar as rédeas de sua vida?

:: Osvaldo Shimoda ::

Tenho o hábito de adiar o que tenho que fazer, deixo sempre para última hora;
Não concluo o que faço, acabo sempre desistindo;
Não confio em mim, sou inseguro, sempre peço a opinião das pessoas;
Eu me sinto incapaz, não confio na minha capacidade;
Tenho dificuldade de tomar decisão porque tenho medo de errar;
Eu me sinto um fracassado, nada dá certo em minha vida.

São as queixas mais comuns que ouço em meu consultório de pacientes com medo de tomar as rédeas de suas vidas. Muitos se revoltam, queixam-se, entram no vitimismo, responsabilizando as pessoas, os fatos e a vida pela sua infelicidade, outros assistem passivamente os acontecimentos de suas vidas, pois se sentem impotentes, reféns diante da vida, e há ainda aqueles que ficam remoendo o passado, culpando-se pelos erros cometidos, adotando uma postura fatalista, conformista diante dos insucessos da vida.
Mas o que leva as pessoas a focarem sua atenção em seus problemas e no insucesso, ao invés de focar na oportunidade e na solução?
Por que o medo de tomar as rédeas da vida?

Na minha experiência clínica, o que observo com freqüência nesses pacientes quando passam pela TRE, seja na regressão de memória ou mesmo com as orientações de seus mentores espirituais, é que sabotam suas vidas por erros cometidos em vidas passadas.
Por terem prejudicado muita gente na existência passada, vêm na vida atual com muito medo de errar novamente. Daí explica a sua insegurança, a dificuldade de tomar decisão. É um mecanismo compensador do inconsciente.

Melhor explicando: se na vida passada você prejudicou muita gente tirando suas vidas, abusando do poder, sendo autoritário, arrogante e prepotente, vem na encarnação atual, desta vez, inseguro, medroso, submisso, com culpa e remorso, com muito medo de tomar decisão. Inconscientemente, você se sabota na vida presente, auto-punindo-se por ter errado e prejudicado muita gente no passado.

Eu me recordo de uma paciente que tinha muita dificuldade de tomar decisão pelo fato de ter medo de errar. Era muito insegura, medrosa, não conseguia tomar as rédeas de sua vida. Esperava as coisas acontecerem, ao invés de ser mais pró-ativa, fazer as coisas acontecerem.
Com isso, seus problemas iam se avolumando, pois postergava, deixando para depois a resolução dos problemas, ao invés de resolvê-los de imediato.
Ao regredir, viu-se numa vida passada como um general autoritário, arrogante, prepotente, e numa reunião com os seus subordinados, um dos seus colaboradores mais próximo o contestou discordando de sua estratégia de guerra, achando que sua tática era muita arriscada, e que colocaria em risco a vida dos soldados. Indignado, sentindo-se afrontado com a contestação, mandou-o calar a boca e ordenou que os soldados seguissem suas ordens.

Resultado: Toda a tropa foi dizimada, inclusive o seu filho, pois não sabia que ele havia participado da batalha. A cavalo, solitário, viu a cena trágica dessa batalha: corpos caídos, ensangüentados; pegou o corpo de seu filho e o enterrou. Em seguida, subiu em seu cavalo, ao entrar num galpão amarrou uma corda numa viga de madeira do teto e se enforcou, tirando a própria vida.
Após sair de seu corpo físico, em espírito, não conseguia sair do local onde cometeu o suicídio (é comum o suicida ficar preso ao seu corpo e ao local do crime, não conseguindo ir para a luz).

Ficava olhando passivamente para o seu corpo, vendo-o balançando na corda. Após passar vários anos observando o próprio corpo, sua mentora espiritual lhe apareceu dizendo que estava na hora de sair daquele lugar, que havia chegado o momento de sua libertação, e o conduziu para o plano espiritual de luz.
No final do tratamento, ela lhe orientou que precisava se libertar, perdoar-se, porque ainda carregava na vida atual a culpa dessa existência passada. Orientou-o para que fizesse a oração do perdão para sua própria alma, seu espírito, pois somente dessa forma iria se libertar da culpa que ainda carregava.
Dois meses após o término da terapia, a paciente me mandou um e-mail dizendo que fez exatamente o que sua mentora espiritual havia lhe recomendado: fazer a oração do autoperdão. Disse que estava mais confiante, resolvendo seus problemas, não adiando mais o que tinha que fazer. Estava também se sentindo mais segura em tomar decisões.

Caso Clínico:
Por que tenho medo de tomar as rédeas de minha vida?
Mulher de 29 anos, solteira.


A paciente veio ao meu consultório dizendo que tinha muito medo de tomar as rédeas de sua vida, pois não conseguia concretizar o que queria. Ou seja, cultivava o hábito de deixar para a última hora o que precisava fazer, além de acordar com muito sono, desvitalizada, cansada. Não conseguia também estabelecer uma rotina de trabalho, faltava disciplina e organização; com isso, não cumpria com os seus deveres. Não conseguia também demonstrar afeto, carinho, pois não confiava, não se abria com sua mãe e irmã. Por fim, estava confusa, não tinha certeza de qual era o seu verdadeiro caminho profissional (trabalhava em designer gráfico).
Após passar pela primeira sessão de regressão, na segunda sessão, assim me relatou: Vejo um vulto escuro (os seres espirituais das trevas se manifestam normalmente em forma de vulto escuro ou como uma sombra)... Sinto que ele é um homem, e está me observando. (pausa).
Ele pega nas minhas mãos... A gente toca levemente as mãos, que estão espalmadas. (pausa).

- Pergunte a esse ser espiritual o que houve entre vocês na existência passada?
Ele diz que em várias encarnações fomos amantes e irmãos. Diz ainda que sente muita saudade, e que me acompanha há vários anos. Fala que está sempre comigo, que não quer me fazer mal, mas que tem medo.

- Medo do quê?
De ficar sozinho, ele me responde.

- Pergunte por que ele tem medo de ficar sozinho?
Porque vai sentir um vazio. Fala que eu não gostava dele, pois o rejeitava nas vidas passadas, e que hoje queria vir como meu filho, mas que não deixei, pois novamente o rejeitei, abortando-o (na entrevista inicial de avaliação, a paciente me disse que havia praticado um aborto).
Fala ainda que queria vir como meu filho para que pudesse cuidar dele, amá-lo. (pausa).

- Você quer dizer algo para ele? - Peço ao paciente.
“Eu sinto muito (paciente fala chorando). (pausa).
Ele está muito triste, afirma que a única coisa que queria era que o amasse. Fala que o rejeito o tempo inteiro, mantendo-o afastado de mim. Por isso, diz que por sentir muito frio, quer sempre ficar perto de mim”.

- Pergunte se ele quer pedir ajuda, se quer ir para a luz?
“Diz que quer ficar comigo... Está em dúvida”.

- Vamos fazer juntos a oração do perdão, mandando luz para ele, a luz dourada de Cristo - Peço à paciente. (pausa).
“Ele quer se despedir (paciente fala chorando). Fala que cada um vai seguir o seu caminho, e quem sabe um dia a gente vai se encontrar. Diz que sabe que apesar do apego que tinha por mim e de rejeitá-lo, de alguma forma eu estava ligado a ele. Mas que agora está sentindo o calor do sol”.

- Você quer dizer algo para ele, antes dele ir para a luz?
“Quero lhe dizer que o amo também, e que vou orar por ele. (pausa). Ele diz que agora não está mais se sentindo só porque há dois seres de luz com ele, e que vão levá-lo para a luz...Está agora indo embora. (pausa).
Agora há um outro ser espiritual comigo... É uma mulher, ela coloca a mão no meu ombro me dando apoio. Ela me diz: - Você sabe o que tem que fazer em relação ao seu trabalho. As oportunidades vão aparecer e saberá o que fazer.

- Pede para ela se identificar - Peço à paciente.
“Diz que é uma grande amiga, que é a minha mentora espiritual, e o nome dela é Gabriela”.
Na terceira e última sessão, a paciente me relatou: “Estou dentro de uma biblioteca. Ela é muito grande, antiga... Parece que tem alguém me chamando... É a Gabriela, a minha mentora espiritual.
Ela fala que quer me mostrar uma coisa. (pausa). Ela está me mostrando um livro. Ele é branco, muito grande Ela fala que é o livro de minha vida, e diz que todos os livros que estão aqui nessa biblioteca já foram escritos, e que agora tenho um em branco para escrever daqui para frente sobre os acontecimentos da minha vida atual.
Afirma que todos esses conhecimentos escritos nesses livros não valem nada porque estão guardados, não estão sendo utilizados.
Na verdade, todos esses conhecimentos que adquiri em várias encarnações estão dentro de mim, em minha memória periespiritual (é a memória do corpo espiritual). Diz que daqui para frente, preciso abraçar esse livro em branco, e começar a reescrever a minha vida. Diz ainda que não preciso ter medo das coisas ruins da vida, que elas também são aprendizados”.

- Pergunte à sua mentora espiritual qual o seu verdadeiro caminho profissional?
“Sem dúvida, é o que estou fazendo atualmente, ela me responde. Mas preciso me organizar melhor, e que isso também faz parte de meu aprendizado nessa encarnação.
Ela pede para organizar a minha vida como num livro, e que quando fizer isso vou sentir o que é ser livre, uma pessoa autônoma. Pede também para não ter medo de errar, pois isso faz parte da vida terrena”.

- Pergunte-lhe por que você tem medo de tomar as rédeas de sua vida?
“É porque já prejudiquei muita gente numa existência passada, inclusive a mim mesma, pois abusei do poder que tinha, de minha liberdade, e, por isso, na vida atual, tenho medo de ser livre e voltar a fazer escolhas erradas. Pede para que eu trabalhe um dia de cada vez, acrescentando uma coisa nova a cada dia. Não perder o foco, escutar mais o meu coração (intuição) porque é dentro dele que está todo o conhecimento.
Ela fala que escutar o coração é lembrar a beleza da existência, e mesmo na tristeza, a gente encontra a beleza. Mesmo na dor, a gente encontra a beleza quando ela faz parte de nosso caminho.
Diz que a dor é um fato, sofrer é uma escolha. A dor é inevitável, mas que o sofrimento a gente pode evitar”.

- Qual a diferença entre dor e sofrimento? - Pergunte à sua mentora espiritual.
“Diz que a dor faz parte dessa vida terrena, desse planeta de testes e provação. Sofrer é se apegar à dor, é se identificar com a dor, que é uma escolha de nossa mente.
Mas se a gente entender a dor como algo inevitável, podemos transcender o sofrimento. Sofrer é um apego, teimosia de nossa mente. O sofrimento nos paralisa na dor e não faz a gente crescer. Portanto, ela reitera dizendo que a dor é inevitável, inerente a esse planeta, mas o sofrimento pode ser evitado, é uma escolha nossa. Ela pede para nunca esquecer que não estou sozinha, e ouvir sempre o meu coração. Fala para eu ir com Deus... Está se despedindo, indo embora”.


 

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